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Praça do Rossio N° 59«– Aquilo não é peixe.
A voz estava mesmo ao lado dela, falando em inglês.
Claire sobressaltou-se. Era o rapaz da estação. Sem pensar, cruzou os braços sobre a bolsa e recuou. O cabelo era mais escuro do que o dela, os olhos de um verde penetrante. Continuava a usar a boina, e pendurara um tubo de cartão às costas.
O breve sorriso dele, ao ver a sua reação, não lhe chegou aos olhos.
– Sabe o que está a acontecer?
Claire abanou a cabeça. Devia simplesmente sair dali, ignorá-lo. A mãe dizia sempre que as raparigas bem-comportadas não conversavam com estranhos. Mas o homem não parecia ameaçador. Apenas preocupado. E as mãos – por enquanto, pelo menos – estavam à vista, e não a agarrar propriedade alheia. Cedeu à curiosidade.
– Então o que é?
– O quê, não! Acho que é uma pessoa.
– Uma pessoa? – Observou o barco. Os pescadores içavam algo longo e pesado. Por baixo, a água calma estava manchada de vermelho. Claire sentiu o estômago embrulhar-se. – Quem?»